quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Retrospectiva PCPR 2014

PARTE I

E chegamos ao final de 2014, um ano que, para a segurança pública paranaense foi de muitas prisões, muitas operações policiais, muita investigação, muitas mudanças e muita briga sindical. Decidi então fazer essa retrospectiva para lembrarmos os principais fatos que aconteceram na Polícia Civil do Paraná (a nossa PCPR) durante este ano que se finda.

Não irei me ater aqui aos crimes que cada delegacia teve de atender, já que a Banda B, Canal 190, Jornal "Tribuna", Paraná Online e os demais veículos de imprensa fazem a cobertura diária destes fatos com maestria.

Então entre na VTR do tempo e vamos voltar para o início de 2014...

JANEIRO

- GAECO vs Segurança Pública:

O ano começa acalorado nos bastidores da Segurança Pública, que ainda sofre os reflexos dos desentendimentos do final de 2013, onde a prisão de policiais civis de "grande expressividade" e a disputa pelo mando da indicação dos policiais que trabalham no Gaeco gerou um impasse entre o órgão do Ministério Público e a Secretaria de Segurança Pública.

- DPCAP em crise:

Em janeiro alguns distritos de Curitiba enfrentaram a mais profunda crise de rebeliões de sua história, ainda sentindo os reflexos do levante dos presos que se iniciou no fim de 2013. Foram registradas rebeliões, fugas e motins no 1ºDP, 9º DP, 11ºDP e no 12º DP, este último que enfrentou uma sequência maior de ocorrências em janeiro. As carceragens destas delegacias ficaram em frangalhos e tudo indicava que 2014 seria um ano de muita pressão sobre a Secretaria de Justiça - SEJU e de muita briga para os dirigentes do Sindicato das Classes Policiais - SINCLAPOL.

- Secretária de Justiça vai ao Maranhão:

Ainda sob a alta das penitenciárias, no fim de janeiro uma rebelião no Complexo de Pedrinhas (Maranhão) volta a expor as fragilidades do sistema prisional brasileiro. A Secretária de Justiça do Paraná, Maria Tereza Uille Gomes, vai até a governadora maranhense Roseana Sarney para compartilhar algumas ferramentas que tornaram o sistema prisional paranaense um "exemplo". No Paraná a visita foi muito criticada, pois a polícia paranaense ainda sofre com as delegacias-presídio, uma aberração que foi criticada por diversos órgãos de imprensa, inclusive na época fiz uma edição do Alça e Massa comentando este episódio.


FEVEREIRO

O mês de fevereiro começa com a denúncia de interceptações indevidas da CELEPAR sobre os e-mails da Polícia, o que gerou um certo constrangimento e clima de desconfiança entre as instituições públicas estaduais.

- SINCLAPOL X SIPOL:

Um fato que deu mídia em fevereiro foi a briga entre os policiais sindicalistas do Sinclapol e Sipol, dentro do próprio Departamento de Polícia Civil. Esse racha entre os sindicatos nunca foi segredo para o público, mas a pancadaria entre os "camaradas" evidenciou as dificuldades que as classes de base têm em lidar com a palavra "união". A briga aconteceu por questões de política interna...

Foi também em fevereiro que a discussão sobre as "conversões da 4ª classe" tomou conta dos corredores da Polícia Civil.... na ocasião, Sipol se posicionava contra a proposta de conversão das vagas da 4ª para a 5ª classe dos investigadores, possibilitando o ingresso dos aprovados do Concurso PCPR2010. O tema foi polêmico e alguns policiais chegaram até a serem expulsos das redes sociais do SINCLAPOL, mas depois foram readmitidos. No meio do ano a conversão foi realizada sem grandes problemas.

- 6º Curso de Operações Táticas Especiais do TIGRE (VI COTE):

Durante o mês de fevereiro aconteceu o VI COTE, onde os 40 policiais que se candidataram ao curso de elite foram levados ao máximo de seus limites. E ao contrário dos cursos anteriores, neste ano o público pôde acompanhar um pouco do treinamento através das redes sociais. As fotos, os vídeos que eram divulgados na internet mostravam quão duro eram os esforços e as atividades dos "Coteanos" durante os quase 30 dias de atividades. Mas o interessante mesmo foi a valorização e o reconhecimento que os policiais e não-policiais prestavam diariamente na internet aos sobreviventes e guerreiros que enfrentaram o desafio.

- Primeira paralisação do ano:

Em fevereiro o SINCLAPOL conclamou a primeira paralisação, reivindicando novas contratações, reajuste salarial, promoções e progressões que estavam paradas.

De primeiro momento o Sindicato não obteve resposta do governo, ficando somente a promessa do "espera um pouco"... as promoções e progressões só vieram em meados de maio e junho, e as novas contratações em julho. Contudo, tirando a pauta salarial e o Novo Estatuto que estava prometido para 2014, as solicitações foram cedo ou tarde todas atendidas pelo Palácio Iguaçu.

- Cid Vasques deixa a Secretaria de Segurança Pública:

Após um intenso desgaste com o Ministério Público que já vinha desde o final de 2013, o então secretário Cid Vasques deixa a SESP

Não era segredo pra ninguém que o Ministério Público, do qual Vasques faz parte como Procurador de Justiça, estava obstruindo os trabalhos do secretário, inclusive pedindo a revogação de sua licença e disputando o mando das indicações de policiais ao GAECO. Com a saída de Cid Vasques, Walter Gonçalvez assumiu interinamente a pasta.

MARÇO

- Leon Grupenmacher, novo Secretário de Segurança Pública:

Com a saída de Vasques e a consequente instabilidade política na SESP, o governador Beto Richa nomeia o então diretor-geral da Polícia Científica e médico-legista, Dr. Leon Grupenmacher.

A gestão de Leon Grupenmacher se caracterizou como discreta e técnica, dado o período curto do comando e considerando também o perfil tecnocrata do secretário.

- Operação do COPE leva 23 presos:;

No final de março o grupo COPE realiza uma operação expressiva que resulta na prisão de 23 pessoas, membros de uma quadrilha de assaltos a bancos, tráfico de drogas e homicídios que atuava em várias áreas do país.

Já nos bastidores da PCPR a apresentação dos presos no tatame da Escola Superior de Polícia Civil gerou desconforto, já que é no tatame que os policiais fazem seus treinamentos de defesa pessoal, logo, no entendimento de alguns policiais ali não seria o lugar mais adequado para levar presos. O assunto se estendeu por alguns dias nas redes sociais. 

-  O DIA D:

Tivemos também o Dia "D" da Polícia Civil, dia em que o Sinclapol fez uma manifestação em frente ao Palácio Iguaçu reivindicando melhorias salariais. Apesar de não obter êxito de reajuste salarial este ano, a classe policial ganhou um "compromisso" do Governo para abrir as negociações futuramente.

- Desabafo do Policial Civil de Cambé:

Investigador Samuel Rolim
soltando o verbo
Vimos neste ano também o desabafo do investigador Samuel Rolim de Oliveira, que foi rendido por presos durante uma fuga na delegacia-presídio de Cambé, região de Londrina. 

O fato o deixou indignado e o policial não mediu as palavras quando falou com a imprensa. Na ocasião, o investigador criticou os governantes e até mesmo as autoridades policiais locais, dizendo que a segurança pública de Londrina e região está "às favas".

Ao contrário do que muitos imaginavam, Samuel não foi transferido para Barracão (município do extremo sudoeste, tido como castigo dos servidores públicos estaduais).

 ABRIL

Abril foi um mês sem muitas turbulências na Segurança Pública paranaense, as atividades rotineiras se mantiveram constantes, mas o que chamou bastante a atenção do público neste mês foi a Operação Mercúrio, realizada pela 15ª Subdivisão policial de Cascavel. A operação desarticulou um esquema milionário de golpe à empresas da região, onde notas fiscais eram fraudadas para "esquentar" produtos contrabandeados do Paraguai.

MAIO

- Dissídio de 6,28%:

Em maio é aprovado o dissídio, fechado em aumento real de 6,28% para todo o funcionalismo (era para ser 6,6%, segundo estimativas do próprio governo).

- Rebelião na DP de Colombo:

Uma rebelião na delegacia-presídio de Colombo resulta em
policiais feridos e na morte de um agente penitenciário.

Eu estava de plantão neste dia e logo nos primeiros minutos após o comunicado da rebelião as mensagens via rádio do Cepol já evidenciavam que a classe policial estava inflamada com situação carcerária, que agora havia ceifado MAIS UMA vida.

Algumas horas depois o Sinclapol já havia conclamado uma paralisação em resposta ao Governo.


- Fim das delegacias-presídio:

Após o intenso desgaste que o Governo estava passando devido às infinitas rebeliões nas delegacias presídio de todo o Paraná, e agora com as constantes paralisações e protestos de policiais civis, o
governador Beto Richa assina em maio um decreto fechando as carceragens de todas as delegacias da capital e região metropolitana (com exceção do 11ºDP e Centro de Triagem).


A partir deste decreto as delegacias-presídio do Paraná começam, aos poucos, a se tornar delegacias de polícia!


- Operação Castelo:

Foi também em maio que a Delegacia de Estelionatos e Desvio de Cargas - DEDC realizou a Operação Castelo, que derrubou a falsa maçonaria. O esquema dos estelionatários consistia em chamar pessoas para integrar uma "maçonaria paralela" e assim arrecadar fundos. Havia até uma mansão em Campo Largo tida como sede da suposta maçonaria... o prejuízo estimado foi de 4 milhões de reais. 



PARTE II

Essa foi a primeira parte da Retrospectiva PCPR2014... na semana que vem confira a segunda parte, com os fatos mais marcantes da Segurança Pública na segunda metade de 2014.

Mário Henrique Lemos

sábado, 29 de junho de 2013

Novo DETRAN-SP três anos após o início das reformas estruturais!

"Quem te viu e quem te vê"

Essa é a frase que melhor se identifica com o DETRAN de São Paulo, um órgão que desde que eu me entendo por gente, era símbolo de corrupção, esquemas, burocracia absurda, filas, stress e mau atendimento! Havia até uma piada que corria nos corredores da sede do Departamento, onde eu trabalhava, de que a sigla "SSP" (Secretaria de Segurança Pública) estampada no prédio do Detran, na realidade significava "Só Sai Pagando". Além de outras, como a história de que o antigo prédio do órgão (esse da foto) tinha as colunas em formado de pernas, para quando gritassem "pega ladrão" o prédio ser o primeiro a sair correndo.

Esse era o falido Detran paulista...mas nos últimos dois ou três anos, o departamento passou de uma instituição semi-morta para uma das principais referências de Qualidade no atendimento (sim, com Q maiúsculo). Hoje o Detran de São Paulo saiu da Secretaria de Segurança Pública e se tornou uma Autarquia, com quadro próprio de funcionários, maior independência e com princípios claramente meritocráticos!!

Os funcionários, dos quais alguns são amigos que espero manter pela vida toda, tiveram reajustes salariais e oportunidades de promoção para cargos de Chefia e Diretoria. Os cargos de Oficial Administrativo tiveram uma valorização de 56%, não é o desejável ainda, mas é uma vitória de toda a classe que agonizava com um salário precário e carente de alterações desde 1993. Há, atualmente aberto, um Concurso para o Departamento com salários que podem chegar até a R$ 4.500,00!

Tal qual como em qualquer empresa privada, ao funcionário que se empenha e trabalha não faltará oportunidades para subir de cargo, podendo até chegar a posição de Diretor. Ou seja, são as regras justas de competição da iniciativa privada junto com as garantias do funcionalismo público.

Isso tudo, aliado à descentralização do órgão na capital (Det-Sul, Det-Centro e Det-Leste), à estruturação física, à inclusão de sistemas de informática eficientes e à transparência nos processos de Habilitação e documentação veicular, resultou numa melhora monstruosa da qualidade do serviço prestado ao cidadão. Hoje o DETRAN é aprovado por 80% da população, índice de satisfação que se iguala ao do Poupatempo, que é outro órgão símbolo de eficiência e celeridade.



Quem me conhece sabe que critico aquilo que acredito ser errado, e elogio quando merecido, independente de quem seja o alvo. Assim como cansei de criticar o ex-governador José Serra e até mesmo o atual, Geraldo Alckmin, na forma como não estavam atendendo as demandas da população no DETRAN, hoje posso prestar um parabéns pela reforma muito bem realizada no Departamento Estadual de Trânsito.

Agora, para finalizar, vejo que é fundamental os governantes terem esse tato político que o PSDB teve em São Paulo, a fim de que seja reduzida a influência política direta em órgãos estratégicos para o Estado, como o Detran, a Previdência e ouso em citar até mesmo a Polícia!

Menos política e mais serviços! Essa é a principal demanda de qualquer cidadão!

Mário Henrique Lemos

terça-feira, 25 de junho de 2013

Protesto, Quebra-Pau e as Bandeiras! (Curitiba - 21/06/2013)

Paulo Urbano e Eu no início dos protestos.
Manifestação estava pacífica
Eu e Paulo Urbano, em meio a esta onda de protestos, fomos na manifestação do dia 21 de junho para ver de perto o movimento, que inicialmente estava realmente de parabéns e àquela altura contava com 15 mil pessoas emanando uma energia incrível de mudança. Mas infelizmente, no final, a manifestação se tornou no mais violento protesto que ocorreu em Curitiba nos últimos dias, fruto da ação de vândalos que, como bem diz a imprensa, é uma ínfima minoria  frente às milhares de pessoas que queriam ali uma melhora  para o Brasil.



(A saber, os manifestantes se dirigiram ao Palácio Iguaçu pois este é o maior símbolo político do Paraná.)

Pois bem, ao chegar no Centro Cívico percebi o tom pacífico e amistoso dos manifestantes, onde uns até trocavam comentários sobre o conteúdo de seus cartazes de protesto. As pessoas iam chegando para a frente do Palácio onde lá reivindicavam as mais diversas causas... as mais comuns: o veto à PEC37, as críticas à Copa do Mundo, melhoras na Saúde e Educação, bem como o fim da Corrupção... alguns até sugeriam uma Reforma Política.

Sim, o movimento estava sem foco, mas percebi nas pessoas uma real preocupação em alinhar o discurso.
Sim, o movimento não tinha liderança, e foi aí que percebemos o início da gravidade do problema, que mais tarde iria culminar na destruição do Centro Cívico.
Sim, tinha alguns vândalos no "front" de batalha (o Portão do Palácio) e estes arremessaram pedras, rojões contra a PM, a qual foi bem paciente e reagiu somente depois que um soldado se feriu.

Devido à ausência de liderança, as pessoas estavam a vontade para agir como bem entendiam... e quando cheguei na Avenida Cândido de Abreu a primeira imagem que se tinha era das bandeiras do Palácio Iguaçu à meio-mastro, simbolizando que todos ali estavam de "Luto".

Imagem de quem chegava ao protesto (Foto: Blog Fotografia Profissional)


Eu e Paulo ficamos na base das bandeiras, observando o desenrolar das manifestações, que até então estavam pacíficas e era até bonito ver aquela galera cantando o hino nacional em alto e bom som... até me lembrei das segundas-feiras na Escola Superior de Polícia Civil, onde junto com meus colegas temos de cantar o hino.

Ocorre que, com o decorrer do tempo, surgiram os primeiros grupos denominados "Anarquistas"... uns foram para o portão  principal do Palácio o front de batalha e outros passaram pela gente, querendo baixar as bandeiras. Ao mesmo tempo, um ou outro grupo tentava invadir outros órgãos públicos do entorno, mas eram explicitamente reprovados pelos manifestantes ao entorno (até um certo momento a maioria conseguiu controlar os invasores). Na área das bandeiras, onde estávamos, percebemos que os caras estavam ARMADOS com facas e foices... eles foram para o mastro e começaram a baixar a bandeira do Brasil.

Enquanto um descia a bandeira, outros iam preparando materiais para atear fogo. Como não havia liderança, as pessoas ao redor não sabiam o que fazer, alguns na realidade nem estava entendendo e outros se sentiam coagidos devido ao grupo estar armado.

Foi quando percebemos que havia um rapaz, aparentemente da imprensa, direcionando a câmera para a bandeira, apenas esperando ela chegar ao chão para o início do incêndio. Realmente daria uma reportagem emblemática: "Manifestantes em Curitiba ateiam fogo na bandeira do Brasil"

Momento da disputa pela bandeira do Paraná
 (Foto:  Blog Fotografia Profissional)
Eu, Paulo e mais dois manifestantes começamos a conversar com o grupo de Anarquistas para ver se eles mudavam de ideia, enquanto que, ao mesmo tempo, chamávamos pessoas para proteger a bandeira. Depois de poucos minutos apareceu uma galera disposta a ajudar e, quando viram que eram minoria, os vândalos deixaram o mastro e ficaram protestando contra nós que estávamos protegendo a bandeira.... confesso que foi uma cena deveras bizarra, pois vi ali uma espécie de sub-protesto, onde manifestantes protestavam contra manifestantes. Gritavam uníssonos "Abaixo os pacifistas!". Mas estes vândalos, não satisfeitos, logo partiram para a outra bandeira, do Paraná.

Fomos atrás para evitar o esculacho com a bandeira, tudo na base de muita conversa, afinal, ao contrário dos vândalos, Paulo e os demais colegas manifestantes não estavam armados e eu não estava no protesto como policial, mas sim como cidadão que também tem lá suas opiniões. Muito embora eu sabia que tinha uma obrigação maior em evitar que as bandeiras fossem zoadas, tinha ciência que não poderia contar com outro apoio policial nas proximidades, logo, qualquer atitude policial isolada seria burrice. Ainda assim, tentei filmar os vândalos para que mais tarde pudessem ser identificados... mas a baixa resolução do celular aliada com a chuva e a baixa luminosidade não me produziu nada mais do que uma imagem com vultos borrados.

Enquanto conversávamos, os vândalos iam descendo a bandeira do Paraná e outros preparando algo que iria servir como fogueira... quando a bandeira se aproximou do chão, algumas pessoas se manifestaram contra, gritando "Sem Vandalismo", "Solta a bandeira!". Um trecho deste momento pôde ser filmado pelo pessoal do blog Fotografia Profissional.






Paulo ainda conversava com os vândalos... eles justificavam suas ações com argumentos ideológicos, dizendo que aqueles símbolos representavam a "divisão de povos", o "derramamento de sangue", etc e tal. Eu, Paulo e os demais colegas que se juntaram em favor da causa, tentávamos a todo custo trazer os vândalos para o nosso lado, tive até a oportunidade de conversar melhor com um menos radical, que explicou que fazia aquilo porque morava na rua.

Enfim, depois de muita conversa e do aumento de manifestantes pacíficos que se comprometeram a enfrentá-los, conseguimos acessar o mastro e arrumar a bandeira paranaense novamente para ser hasteada. Mas, ao contrário da bandeira do Brasil, a engrenagem parecia estar emperrada e a bandeira não subia. Foram segundos de desespero, em meio a chuva e aos demais manifestantes esperando pela colocação da bandeira em sua posição de origem.

Incrivelmente, paralelamente a toda essa confusão com as bandeiras, o outro grupo de vândalos que estava no "front de batalha" no portão principal do Palácio, estourava rojões em direção aos Policiais Militares. E naquele momento um soldado foi ferido... foi onde a Tropa de Choque entrou em ação para dispersar os manifestantes, o protesto ali se acabava e dali em diante se iniciavam as cenas de terror que foram manchetes dos jornais no dia seguinte.

Devido às bombas de gás lacrimogênio, eu e Paulo deixamos o local junto com os outros milhares manifestantes que ali estavam. Enquanto me distanciava do Palácio, ao olhar para trás vi um sinal de fogo na base do mastro onde estava a bandeira... ficamos preocupados, imaginando se todo o nosso trabalho defendendo as benditas das bandeiras havia sido em vão. Depois vimos que foi apenas um foco.

Mas o barulho de vidraças estilhaçando foi o que mais me causou espanto, ao olhar para a Prefeitura, Paulo viu ali, quebrando as vidraças, o mesmo grupo de vândalos que outrora tentava queimar os símbolos do Estado e que discutia conosco. Eis que após alguns poucos, porém longos minutos, o efeito das bombas haviam passado e quando me dei por conta, já estava fora do perímetro de guerra. Voltamos para casa preocupados com o fim de tudo aquilo, mas confesso que eu não parava de pensar na integridade das bandeiras. Felizmente no dia seguinte vi que estava tudo certo e que os vândalos não queimaram, rasgaram ou zoaram de alguma forma o símbolo da nossa nação.

Palácio Iguaçu após os conflitos do dia 21
(Foto: Agência Estadual de Notícias)
Mas triste foi o amanhecer do dia 22 de junho, quando vi as cenas de como ficou, aliás, do que sobrou do Centro Cívico.

De qualquer forma, eis um dia para ficar na memória de todos, assim como todo esse período de efervescência política que se vive no país!

Mário Henrique Lemos

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

[Retrô] Ângela Guadagnin depois da Dança

Quem não lembra da famosa "Dança da Pizza" protagonizada em março de 2006 pela deputada federal paulista (São José dos Campos-SP), Ângela Guadagnin, do PT? tinhaqueserdoPT

Para quem não lembra, abaixo está o vídeo do que Ângela consagrou como "caminhada saltitante" com o fito de externar a alegria ora sentida, pela absolvição de seu colega de partido, deputado João Magno (PT-MG).


Acredito que a grande parcela da sociedade tenha tomado ciência deste episódio. Mas poucos sabem que fim teve a "Deputada dançarina", como foi consagrada pela mídia.

À saber, Ângela cometeu a sandice de fazer essa dança em ano eleitoral! Pior, em ano eleitoral para, dentre outros quadros, eleger também os deputados do Congresso Nacional.



Em 2002 a dançarina foi eleita Deputada Federal com 152 mil votos, mas depois do espetáculo em plenário sua carreira entrou em estol (leia-se decadência), e ainda em 2006 não foi reeleita pois conseguiu apenas 37.800 votos. Talvez se apostasse numa candidatura à Deputada Estadual, com essa quantidade de votos poderia ser eleita, embora a situação seria de um rebaixamento do nível federal ao estadual.

 Não obstante, a antiga Deputada Federal estola um pouco mais, indo bater à porta da Câmara dos Vereadores de São José dos Campos/SP, cidade onde fez sua carreira política e onde foi prefeita de 1993 a 1997. Então em 2008 o município de São José dos Campos vê os santinhos apelando para eleger Ângela à vereança da cidade. O resultado das eleições municipais são favoráveis e ela é eleita vereadora com 4.300 votos num universo de 331 mil eleitores.

Dentre os principais projetos de Ãngela em São José dos Campos está a proposição que proibe qualquer manifestação corporal em forma de dança por parte dos vereadores cria o SAMU para São José, o que acabou beneficiando a região vizinha. Com esse grande trabalho inovador, Guadagnin consegue se reeleger vereadora de SJC nas eleições municipais de 2012, dessa vez com 3.200 votos.

Diante de todo esse cenário, o mais interessante foi a entrevista que Ângela deu à equipe do UOL em junho deste ano (http://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2012/06/27/conhecida-por-danca-da-pizza-vereadora-angela-guadagnin-reafirma-que-mensalao-e-uma-farsa.htm), onde ela mantém o posicionamento de que o Mensalão é uma farsa (seria o mensalão fruto de nossa imaginação fértil?!) e vai além, acaba insultando os eleitores que um dia votaram nela, mas que em função de toda essa presepada não votam mais.

"Não posso negar a minha decepção pessoal de perceber que minha história política, naquele momento, fora pulverizada pela falsa expressão de que eu comemorava a impunidade, o que é uma mentira que povoa a cabeça dos desprovidos de caráter e dos que se dispõem a ser massa de manobra deles." (grifei)

Não se questiona o fato da impunidade ser justa ou não, ou do Mensalão ser ou não ser uma história de pescador, o que a sociedade repugna em Ângela é aquela "caminhada saltitante" ridícula em um momento absolutamente impróprio, inclusive ouso a dizer que foi até uma falta de decoro e respeito com os demais deputados. O rebaixamento à Vereadora é mais que merecido, pois ela faltou com o respeito à uma parcela GRANDE da sociedade!


Pra concluir, é fato que Ãngela só deve reacender na política se conseguir um GRANDE feito, algo semelhante à invenção da roda. Do contrário os números e as sucessivas eleições estão mostrando a tendência para o futuro de quem zuou com a cara da sociedade em favor da absolvição de seu amigo partidário (ou pessoal, que seja).

O último eleitor de Ângela Guadagnin que apague a luz!


Mário Henrique Lemos

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

[Polêmica] Dia da Consciência Negra, fomento, cotas, descontos, comida e demais ajudas para negros!

"It's the economy, stupid!"

Com essa frase dita pelo ex-presidente dos EUA, Bill Clinton, que inicio um debate polêmico sobre o dia comemorativo da Consciência Negra (que foi ontem, mas isso não vem ao caso) e a questão sectarista do "branco x negro".


É fato que os negros hoje bem sucedidos compõem uma minoria ínfima, e isso não é porque são menos inteligentes ou incapazes de resolver uma equação de segundo grau quando prestam um vestibular para Engenharia Civil no sistema de cotas, como vi em vários argumentos que remetem a esta conclusão. A deficiência do negro frente ao branco é uma só: a economia!



Talvez muitos não percebam, pois sua percepção de mundo não vai além das críticas aos 10% das vagas afrodescendentes de um Vestibular. Mas vendo a sociedade em si, a situação é antiga e não tem nada a ver com o fato do "neto pagar pelo conduta do avô branco que escravizou um negro", como o Daniel Fraga sugeriu em um vídeo sobre o tema.



Todavia, todos sabem que no Brasil o negro pôde conquistar a sua primeira moeda de centavo somente a partir de 1888, 120 anos atrás. Enquanto o negro lutava para conquistar o seu primeiro patrimônio, o resto das famílias (brancas) dominavam todas as empresas e indústrias existentes, além dos inimagináveis acres de terra, e essa situação leva qualquer pessoa com o mínimo de inteligência concluir que a concorrência de mercado NÂO era democrática entre o branco e o negro. Não que isso fosse negativo para o branco, afinal, se ele tinha toda essa carga econômica é porque ao longo das gerações trabalhou para conquistar isso. Mas o negro também suou e trabalhou (e como trabalhou), e em troca ganhou uma Lei Áurea.

Sem um puto no bolso, sem escolaridade e conhecimento algum e com uma Lei dizendo "Tú tá livre, mermão, te vira", o que aqueles escravos iriam fazer dali em diante? A partir daí o Brasil começou a viver o seu primeiro problema social grave e intrínseco: Complexo do Alemão, Paraisópolis, Heliópolis, Morro do Dendê e afins... sim, as favelas!! Outro problema grave que já tinha começado antes, mas se agravou ainda mais a partir de 1888 foi a prostituição e o turismo sexual.

Com uma realidade tão escancarada como essa, tem gente com a pachorra de dizer que negros e brancos estão tudo de boa, só porque o Joaquim Barbosa é negro e está no STF. Acho que todos já devem saber disso, mas quando se faz uma análise geral como esta, analisando a sociedade como um todo, não se deve pegar casos particulares ou isolados, mas sim se basear somente e tão somente pela estatística.

Estatísticamente, hoje já temos resultados positivos e a expectativa para o futuro também é animadora, mas se você pegar uma amostragem e selecionar as 200 maiores empresas brasileiras do país, certamente nem 10% delas serão dirigidas por negros, e não é porque o negro é burro, mas sim porque ainda está ascendendo na sociedade. De 1888 pra cá passaram umas duas, três ou talvez quatro gerações, e isso nem de longe é suficiente para colocar o negro em uma competição ECONOMICAMENTE democrática.

Portanto, "é a economia, estúpido" que faz com que o negro tenha um pouco mais de privilégio sobre o "branco".

E quando esse fomento vai cessar? Quando pegarmos as 200 maiores empresas do país e tivermos pelo menos 25% delas dirigidas por negros, aí sim poderemos COMEÇAR a dizer que a competição econômica "negro X branco" está se democratizando.

Pra fechar, excluindo esse fator econômico, concordo que negros, pardos, Michael Jacksons, amarelos, vermelhos e brancos são todos iguais e devem viver em paz, deixando de lado que a raça prevaleça para determinar superioridade em qualquer área dessa vida (e da morte também).



By: Mário Henrique Lemos

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Cinema: "2 Coelhos"

"Ô Silvia, piranha!!! Ô Silvia, piranha!!!"

É com esse refrão do Camisa de Vênus que quero iniciar essa reflexão sobre o filme "2 Coelhos", de Poyart, onde a Silvia é interpretada por Júlia (Alessandra Negrini), uma Promotora de Justiça que mais parece uma estudante do último ano de Direito e que se envolve com um advogado corrupto, um traficante e um nerd, tudo junto e ao mesmo tempo.

Mas deixando de lado o mérito da Júlia ser ou não uma piranha, o filme retrata e explora muito bem a realidade cinza e ardil, bem como a elegância e o poderio de São Paulo, colocando a cidade como um cenário perfeito para um enredo cheio de emboscadas e estratégias políticas maquiavélicas.

Percebe-se também que o Diretor apelou bastante para o método americano de fazer filmes de ação "policial" (coloco aspas porque Polícia é tudo o que NÃO se vê na trama), ainda sim o filme ficou bem longe daqueles de Hollywood, principalmente nos efeitos especiais que ainda não atingiram o nível de qualidade dos americanos. Mas mesmo assim confesso, "2 Coelhos" é um marco para o cinema brasileiro, principalmente no que tange a essa área de computação gráfica e tecnologias, onde o filme não se saiu de todo ruim quando comparado com outros filmes brasileiros que se arriscaram a explorar os efeitos especiais.....(elogios a parte, que explosão mixuruca aquela onde morreu o Deputado ein?!)

Com uma trama não-linear, o diretor trabalha e exige a memória do telespectador com frequência, e para o enredo não parecer um trabalho chato de investigação (estilo C.S.I) o filme descontrai o público usando moderadamente o humor, que ficou de parabéns, diga-se de passagem.

Já no que se refere ao elenco, quando vi a presença de Norival Rizzo (interpreta o pai de Edgar) percebi que o diretor não é um amador no assunto. Rizzo que atuou em 9mm São Paulo, um seriado policial brasileiro exibido na Fox, é, além de um comediante e ator especialista em filmes de ação, um policial civil que tive a honra de conhecer em São Paulo. Resumindo minha puxação de saco, filme de ação policial tem que ter Norival Rizzo!! Ainda sim, a presença de Caco Ciocler (Walter) e Alessandra Negrini (Júlia piranha) impôs respeito a trama. Quanto as revelações, Thayde, o antigo VJ da MTV foi o que mais me deixou bolado, talvez pelo fato de eu nunca imaginá-lo fazendo filme, mas o papel de malaco bandido ele interpretou muito bem. Há quem diga também que o protagonista Fernando Alves Pinto (Edgar) é a grande promessa do cinema nacional, é esperar pra ver...

Por fim, engraçado e diferente, o filme "2 Coelhos" vai além, traz consigo a crítica social fazendo coro, inclusive, ao filme "Salve Geral", ao abordar a boa e velha corrupção no Brasil, presente não somente entre a deputaiada, mas sim em órgãos como o Ministério Público e o Judiciário, entidades estas que muitos não têm culhão para criticar.

É isso aí, tá aí um filme que recomendo.

Henrique Lemos

sábado, 10 de setembro de 2011

Filme Apollo 18, poderia ser melhor?

 

 Nesta quarta-feira (7) fui assistir o filme Apollo 18, inaugurado dia 2 de setembro. Ao sair do cinema eu não sabia de quem eu sentia mais vergonha, de mim por levar minha namorada pra assistir um filme desses ou do produtor do pseudo-documentário por ter sido vaiado ao final do filme.

Seguindo o estilo de "A Bruxa de Blair" e "Atividade Paranormal" o Apollo 18  tenta passar ao telespectador a imagem de um documentário conspiratório sobre as Missões Apollo que aconteceram entre 1969 e 1972. Segundo o filme, houve uma última Missão Apollo, secreta e com o objetivo de descobrir vida na Lua. Contudo, a tripulação foi enviada pensando que os objetivos seriam outros. Quando chegam na Lua começam a se deparar com uns ruídos estranhos e persistentes, que chegam a se tornar chatos para o telespectador de tão frequente. Em um dado momento pensei que eu estava em um exame de audiometria.


Mas o problema maior está na falta de enredo e no excesso de mistério que o produtor colocou sobre os seres alienígenas da Lua. Durante os longos 75 minutos de filme o que dava pra perceber era um total desgosto do pessoal no cinema, que aumentava com o decorrer da trama. Aos poucos o mistério sobre os seres viventes da Lua vai sendo desvendado, em ritmo muito lento. Enquanto isso o público vai tentando se entreter com o filme nos momentos de sustos.


Inclusive até os sustos deixaram a desejar. Cenas de suspense sem sentido algum como o momento em que um cosmonauta filma o seu parceiro dormindo e quando a câmera fica bem perto do rosto derrepente o cara acorda ao estilo "BU!".

Pra não queimar a trama toda, salvo aqui alguns momentos que chamou a atenção do público e poderia salvar o filme se não fosse a falta de enredo botar a produção de novo na lama pra não dizer na merda.

O encontro de um módulo russo e de um cadáver humano foi interessante, pensei naquele momento que o filme iria decolar, todavia, não decolou... Outra cena positiva do filme e que acredito ter sido o clímax da produção foi o momento quando o único cosmonauta vivo (e saudável) decide entrar na cratera misteriosa pra descobrir o que aconteceu lá e depois de descobrir que as pedrinhas da Lua viravam uns bichos estranhos ele toma a iniciativa de procurar o módulo russo para sair daquela porra de Lua, pois todo mundo naquela altura do filme já estava de saco cheio.

Por fim, o filme termina com o módulo russo colidindo com a nave que estava em órbita da Lua, esta nave que era a única chance de voltar para a Terra.

O filme não passou a sua teoria conspiratória ao público, muito menos o convenceu. Percebe-se que a produção optou por fazer algo de baixo custo, sem apelar muito para os efeitos especiais (nota-se claramente que os atores estavam fingindo - fingindo mesmo - estar numa gravidade lunar ou às vezes as cenas eram feitas em câmera lenta), alia-se a isso também a total falta de elenco, com pessoas desconhecidas (eu pelo menos nunca os vi) o que fez do filme um forte alvo de críticas.

Apollo 18 seguiu o estilo da "Bruxa de Blair", mas este nem se compara ao primeiro.

 Henrique Lemos