sábado, 29 de junho de 2013

Novo DETRAN-SP três anos após o início das reformas estruturais!

"Quem te viu e quem te vê"

Essa é a frase que melhor se identifica com o DETRAN de São Paulo, um órgão que desde que eu me entendo por gente, era símbolo de corrupção, esquemas, burocracia absurda, filas, stress e mau atendimento! Havia até uma piada que corria nos corredores da sede do Departamento, onde eu trabalhava, de que a sigla "SSP" (Secretaria de Segurança Pública) estampada no prédio do Detran, na realidade significava "Só Sai Pagando". Além de outras, como a história de que o antigo prédio do órgão (esse da foto) tinha as colunas em formado de pernas, para quando gritassem "pega ladrão" o prédio ser o primeiro a sair correndo.

Esse era o falido Detran paulista...mas nos últimos dois ou três anos, o departamento passou de uma instituição semi-morta para uma das principais referências de Qualidade no atendimento (sim, com Q maiúsculo). Hoje o Detran de São Paulo saiu da Secretaria de Segurança Pública e se tornou uma Autarquia, com quadro próprio de funcionários, maior independência e com princípios claramente meritocráticos!!

Os funcionários, dos quais alguns são amigos que espero manter pela vida toda, tiveram reajustes salariais e oportunidades de promoção para cargos de Chefia e Diretoria. Os cargos de Oficial Administrativo tiveram uma valorização de 56%, não é o desejável ainda, mas é uma vitória de toda a classe que agonizava com um salário precário e carente de alterações desde 1993. Há, atualmente aberto, um Concurso para o Departamento com salários que podem chegar até a R$ 4.500,00!

Tal qual como em qualquer empresa privada, ao funcionário que se empenha e trabalha não faltará oportunidades para subir de cargo, podendo até chegar a posição de Diretor. Ou seja, são as regras justas de competição da iniciativa privada junto com as garantias do funcionalismo público.

Isso tudo, aliado à descentralização do órgão na capital (Det-Sul, Det-Centro e Det-Leste), à estruturação física, à inclusão de sistemas de informática eficientes e à transparência nos processos de Habilitação e documentação veicular, resultou numa melhora monstruosa da qualidade do serviço prestado ao cidadão. Hoje o DETRAN é aprovado por 80% da população, índice de satisfação que se iguala ao do Poupatempo, que é outro órgão símbolo de eficiência e celeridade.



Quem me conhece sabe que critico aquilo que acredito ser errado, e elogio quando merecido, independente de quem seja o alvo. Assim como cansei de criticar o ex-governador José Serra e até mesmo o atual, Geraldo Alckmin, na forma como não estavam atendendo as demandas da população no DETRAN, hoje posso prestar um parabéns pela reforma muito bem realizada no Departamento Estadual de Trânsito.

Agora, para finalizar, vejo que é fundamental os governantes terem esse tato político que o PSDB teve em São Paulo, a fim de que seja reduzida a influência política direta em órgãos estratégicos para o Estado, como o Detran, a Previdência e ouso em citar até mesmo a Polícia!

Menos política e mais serviços! Essa é a principal demanda de qualquer cidadão!

Mário Henrique Lemos

terça-feira, 25 de junho de 2013

Protesto, Quebra-Pau e as Bandeiras! (Curitiba - 21/06/2013)

Paulo Urbano e Eu no início dos protestos.
Manifestação estava pacífica
Eu e Paulo Urbano, em meio a esta onda de protestos, fomos na manifestação do dia 21 de junho para ver de perto o movimento, que inicialmente estava realmente de parabéns e àquela altura contava com 15 mil pessoas emanando uma energia incrível de mudança. Mas infelizmente, no final, a manifestação se tornou no mais violento protesto que ocorreu em Curitiba nos últimos dias, fruto da ação de vândalos que, como bem diz a imprensa, é uma ínfima minoria  frente às milhares de pessoas que queriam ali uma melhora  para o Brasil.



(A saber, os manifestantes se dirigiram ao Palácio Iguaçu pois este é o maior símbolo político do Paraná.)

Pois bem, ao chegar no Centro Cívico percebi o tom pacífico e amistoso dos manifestantes, onde uns até trocavam comentários sobre o conteúdo de seus cartazes de protesto. As pessoas iam chegando para a frente do Palácio onde lá reivindicavam as mais diversas causas... as mais comuns: o veto à PEC37, as críticas à Copa do Mundo, melhoras na Saúde e Educação, bem como o fim da Corrupção... alguns até sugeriam uma Reforma Política.

Sim, o movimento estava sem foco, mas percebi nas pessoas uma real preocupação em alinhar o discurso.
Sim, o movimento não tinha liderança, e foi aí que percebemos o início da gravidade do problema, que mais tarde iria culminar na destruição do Centro Cívico.
Sim, tinha alguns vândalos no "front" de batalha (o Portão do Palácio) e estes arremessaram pedras, rojões contra a PM, a qual foi bem paciente e reagiu somente depois que um soldado se feriu.

Devido à ausência de liderança, as pessoas estavam a vontade para agir como bem entendiam... e quando cheguei na Avenida Cândido de Abreu a primeira imagem que se tinha era das bandeiras do Palácio Iguaçu à meio-mastro, simbolizando que todos ali estavam de "Luto".

Imagem de quem chegava ao protesto (Foto: Blog Fotografia Profissional)


Eu e Paulo ficamos na base das bandeiras, observando o desenrolar das manifestações, que até então estavam pacíficas e era até bonito ver aquela galera cantando o hino nacional em alto e bom som... até me lembrei das segundas-feiras na Escola Superior de Polícia Civil, onde junto com meus colegas temos de cantar o hino.

Ocorre que, com o decorrer do tempo, surgiram os primeiros grupos denominados "Anarquistas"... uns foram para o portão  principal do Palácio o front de batalha e outros passaram pela gente, querendo baixar as bandeiras. Ao mesmo tempo, um ou outro grupo tentava invadir outros órgãos públicos do entorno, mas eram explicitamente reprovados pelos manifestantes ao entorno (até um certo momento a maioria conseguiu controlar os invasores). Na área das bandeiras, onde estávamos, percebemos que os caras estavam ARMADOS com facas e foices... eles foram para o mastro e começaram a baixar a bandeira do Brasil.

Enquanto um descia a bandeira, outros iam preparando materiais para atear fogo. Como não havia liderança, as pessoas ao redor não sabiam o que fazer, alguns na realidade nem estava entendendo e outros se sentiam coagidos devido ao grupo estar armado.

Foi quando percebemos que havia um rapaz, aparentemente da imprensa, direcionando a câmera para a bandeira, apenas esperando ela chegar ao chão para o início do incêndio. Realmente daria uma reportagem emblemática: "Manifestantes em Curitiba ateiam fogo na bandeira do Brasil"

Momento da disputa pela bandeira do Paraná
 (Foto:  Blog Fotografia Profissional)
Eu, Paulo e mais dois manifestantes começamos a conversar com o grupo de Anarquistas para ver se eles mudavam de ideia, enquanto que, ao mesmo tempo, chamávamos pessoas para proteger a bandeira. Depois de poucos minutos apareceu uma galera disposta a ajudar e, quando viram que eram minoria, os vândalos deixaram o mastro e ficaram protestando contra nós que estávamos protegendo a bandeira.... confesso que foi uma cena deveras bizarra, pois vi ali uma espécie de sub-protesto, onde manifestantes protestavam contra manifestantes. Gritavam uníssonos "Abaixo os pacifistas!". Mas estes vândalos, não satisfeitos, logo partiram para a outra bandeira, do Paraná.

Fomos atrás para evitar o esculacho com a bandeira, tudo na base de muita conversa, afinal, ao contrário dos vândalos, Paulo e os demais colegas manifestantes não estavam armados e eu não estava no protesto como policial, mas sim como cidadão que também tem lá suas opiniões. Muito embora eu sabia que tinha uma obrigação maior em evitar que as bandeiras fossem zoadas, tinha ciência que não poderia contar com outro apoio policial nas proximidades, logo, qualquer atitude policial isolada seria burrice. Ainda assim, tentei filmar os vândalos para que mais tarde pudessem ser identificados... mas a baixa resolução do celular aliada com a chuva e a baixa luminosidade não me produziu nada mais do que uma imagem com vultos borrados.

Enquanto conversávamos, os vândalos iam descendo a bandeira do Paraná e outros preparando algo que iria servir como fogueira... quando a bandeira se aproximou do chão, algumas pessoas se manifestaram contra, gritando "Sem Vandalismo", "Solta a bandeira!". Um trecho deste momento pôde ser filmado pelo pessoal do blog Fotografia Profissional.






Paulo ainda conversava com os vândalos... eles justificavam suas ações com argumentos ideológicos, dizendo que aqueles símbolos representavam a "divisão de povos", o "derramamento de sangue", etc e tal. Eu, Paulo e os demais colegas que se juntaram em favor da causa, tentávamos a todo custo trazer os vândalos para o nosso lado, tive até a oportunidade de conversar melhor com um menos radical, que explicou que fazia aquilo porque morava na rua.

Enfim, depois de muita conversa e do aumento de manifestantes pacíficos que se comprometeram a enfrentá-los, conseguimos acessar o mastro e arrumar a bandeira paranaense novamente para ser hasteada. Mas, ao contrário da bandeira do Brasil, a engrenagem parecia estar emperrada e a bandeira não subia. Foram segundos de desespero, em meio a chuva e aos demais manifestantes esperando pela colocação da bandeira em sua posição de origem.

Incrivelmente, paralelamente a toda essa confusão com as bandeiras, o outro grupo de vândalos que estava no "front de batalha" no portão principal do Palácio, estourava rojões em direção aos Policiais Militares. E naquele momento um soldado foi ferido... foi onde a Tropa de Choque entrou em ação para dispersar os manifestantes, o protesto ali se acabava e dali em diante se iniciavam as cenas de terror que foram manchetes dos jornais no dia seguinte.

Devido às bombas de gás lacrimogênio, eu e Paulo deixamos o local junto com os outros milhares manifestantes que ali estavam. Enquanto me distanciava do Palácio, ao olhar para trás vi um sinal de fogo na base do mastro onde estava a bandeira... ficamos preocupados, imaginando se todo o nosso trabalho defendendo as benditas das bandeiras havia sido em vão. Depois vimos que foi apenas um foco.

Mas o barulho de vidraças estilhaçando foi o que mais me causou espanto, ao olhar para a Prefeitura, Paulo viu ali, quebrando as vidraças, o mesmo grupo de vândalos que outrora tentava queimar os símbolos do Estado e que discutia conosco. Eis que após alguns poucos, porém longos minutos, o efeito das bombas haviam passado e quando me dei por conta, já estava fora do perímetro de guerra. Voltamos para casa preocupados com o fim de tudo aquilo, mas confesso que eu não parava de pensar na integridade das bandeiras. Felizmente no dia seguinte vi que estava tudo certo e que os vândalos não queimaram, rasgaram ou zoaram de alguma forma o símbolo da nossa nação.

Palácio Iguaçu após os conflitos do dia 21
(Foto: Agência Estadual de Notícias)
Mas triste foi o amanhecer do dia 22 de junho, quando vi as cenas de como ficou, aliás, do que sobrou do Centro Cívico.

De qualquer forma, eis um dia para ficar na memória de todos, assim como todo esse período de efervescência política que se vive no país!

Mário Henrique Lemos