![]() |
| Paulo Urbano e Eu no início dos protestos. Manifestação estava pacífica |
(A saber, os manifestantes se dirigiram ao Palácio Iguaçu pois este é o maior símbolo político do Paraná.)
Pois bem, ao chegar no Centro Cívico percebi o tom pacífico e amistoso dos manifestantes, onde uns até trocavam comentários sobre o conteúdo de seus cartazes de protesto. As pessoas iam chegando para a frente do Palácio onde lá reivindicavam as mais diversas causas... as mais comuns: o veto à PEC37, as críticas à Copa do Mundo, melhoras na Saúde e Educação, bem como o fim da Corrupção... alguns até sugeriam uma Reforma Política.
Sim, o movimento estava sem foco, mas percebi nas pessoas uma real preocupação em alinhar o discurso.
Sim, o movimento não tinha liderança, e foi aí que percebemos o início da gravidade do problema, que mais tarde iria culminar na destruição do Centro Cívico.
Sim, tinha alguns vândalos no "front" de batalha (o Portão do Palácio) e estes arremessaram pedras, rojões contra a PM, a qual foi bem paciente e reagiu somente depois que um soldado se feriu.
Devido à ausência de liderança, as pessoas estavam a vontade para agir como bem entendiam... e quando cheguei na Avenida Cândido de Abreu a primeira imagem que se tinha era das bandeiras do Palácio Iguaçu à meio-mastro, simbolizando que todos ali estavam de "Luto".
![]() |
| Imagem de quem chegava ao protesto (Foto: Blog Fotografia Profissional) |
Eu e Paulo ficamos na base das bandeiras, observando o desenrolar das manifestações, que até então estavam pacíficas e era até bonito ver aquela galera cantando o hino nacional em alto e bom som... até me lembrei das segundas-feiras na Escola Superior de Polícia Civil, onde junto com meus colegas temos de cantar o hino.
Ocorre que, com o decorrer do tempo, surgiram os primeiros grupos denominados "Anarquistas"... uns foram para o portão principal do Palácio
Enquanto um descia a bandeira, outros iam preparando materiais para atear fogo. Como não havia liderança, as pessoas ao redor não sabiam o que fazer, alguns na realidade nem estava entendendo e outros se sentiam coagidos devido ao grupo estar armado.
Foi quando percebemos que havia um rapaz, aparentemente da imprensa, direcionando a câmera para a bandeira, apenas esperando ela chegar ao chão para o início do incêndio. Realmente daria uma reportagem emblemática: "Manifestantes em Curitiba ateiam fogo na bandeira do Brasil"
![]() |
| Momento da disputa pela bandeira do Paraná (Foto: Blog Fotografia Profissional) |
Fomos atrás para evitar o esculacho com a bandeira, tudo na base de muita conversa, afinal, ao contrário dos vândalos, Paulo e os demais colegas manifestantes não estavam armados e eu não estava no protesto como policial, mas sim como cidadão que também tem lá suas opiniões. Muito embora eu sabia que tinha uma obrigação maior em evitar que as bandeiras fossem zoadas, tinha ciência que não poderia contar com outro apoio policial nas proximidades, logo, qualquer atitude policial isolada seria burrice. Ainda assim, tentei filmar os vândalos para que mais tarde pudessem ser identificados... mas a baixa resolução do celular aliada com a chuva e a baixa luminosidade não me produziu nada mais do que uma imagem com vultos borrados.
Enquanto conversávamos, os vândalos iam descendo a bandeira do Paraná e outros preparando algo que iria servir como fogueira... quando a bandeira se aproximou do chão, algumas pessoas se manifestaram contra, gritando "Sem Vandalismo", "Solta a bandeira!". Um trecho deste momento pôde ser filmado pelo pessoal do blog Fotografia Profissional.
Paulo ainda conversava com os vândalos... eles justificavam suas ações com argumentos ideológicos, dizendo que aqueles símbolos representavam a "divisão de povos", o "derramamento de sangue", etc e tal. Eu, Paulo e os demais colegas que se juntaram em favor da causa, tentávamos a todo custo trazer os vândalos para o nosso lado, tive até a oportunidade de conversar melhor com um menos radical, que explicou que fazia aquilo porque morava na rua.
Enfim, depois de muita conversa e do aumento de manifestantes pacíficos que se comprometeram a enfrentá-los, conseguimos acessar o mastro e arrumar a bandeira paranaense novamente para ser hasteada. Mas, ao contrário da bandeira do Brasil, a engrenagem parecia estar emperrada e a bandeira não subia. Foram segundos de desespero, em meio a chuva e aos demais manifestantes esperando pela colocação da bandeira em sua posição de origem.
Incrivelmente, paralelamente a toda essa confusão com as bandeiras, o outro grupo de vândalos que estava no "front de batalha" no portão principal do Palácio, estourava rojões em direção aos Policiais Militares. E naquele momento um soldado foi ferido... foi onde a Tropa de Choque entrou em ação para dispersar os manifestantes, o protesto ali se acabava e dali em diante se iniciavam as cenas de terror que foram manchetes dos jornais no dia seguinte.
Devido às bombas de gás lacrimogênio, eu e Paulo deixamos o local junto com os outros milhares manifestantes que ali estavam. Enquanto me distanciava do Palácio, ao olhar para trás vi um sinal de fogo na base do mastro onde estava a bandeira... ficamos preocupados, imaginando se todo o nosso trabalho defendendo as benditas das bandeiras havia sido em vão. Depois vimos que foi apenas um foco.
Mas o barulho de vidraças estilhaçando foi o que mais me causou espanto, ao olhar para a Prefeitura, Paulo viu ali, quebrando as vidraças, o mesmo grupo de vândalos que outrora tentava queimar os símbolos do Estado e que discutia conosco. Eis que após alguns poucos, porém longos minutos, o efeito das bombas haviam passado e quando me dei por conta, já estava fora do perímetro de guerra. Voltamos para casa preocupados com o fim de tudo aquilo, mas confesso que eu não parava de pensar na integridade das bandeiras. Felizmente no dia seguinte vi que estava tudo certo e que os vândalos não queimaram, rasgaram ou zoaram de alguma forma o símbolo da nossa nação.
![]() |
| Palácio Iguaçu após os conflitos do dia 21 (Foto: Agência Estadual de Notícias) |
De qualquer forma, eis um dia para ficar na memória de todos, assim como todo esse período de efervescência política que se vive no país!
Mário Henrique Lemos




kkkkkkkkkkkkk...Lemulus lemulus!!
ResponderExcluir