quinta-feira, 29 de novembro de 2012

[Retrô] Ângela Guadagnin depois da Dança

Quem não lembra da famosa "Dança da Pizza" protagonizada em março de 2006 pela deputada federal paulista (São José dos Campos-SP), Ângela Guadagnin, do PT? tinhaqueserdoPT

Para quem não lembra, abaixo está o vídeo do que Ângela consagrou como "caminhada saltitante" com o fito de externar a alegria ora sentida, pela absolvição de seu colega de partido, deputado João Magno (PT-MG).


Acredito que a grande parcela da sociedade tenha tomado ciência deste episódio. Mas poucos sabem que fim teve a "Deputada dançarina", como foi consagrada pela mídia.

À saber, Ângela cometeu a sandice de fazer essa dança em ano eleitoral! Pior, em ano eleitoral para, dentre outros quadros, eleger também os deputados do Congresso Nacional.



Em 2002 a dançarina foi eleita Deputada Federal com 152 mil votos, mas depois do espetáculo em plenário sua carreira entrou em estol (leia-se decadência), e ainda em 2006 não foi reeleita pois conseguiu apenas 37.800 votos. Talvez se apostasse numa candidatura à Deputada Estadual, com essa quantidade de votos poderia ser eleita, embora a situação seria de um rebaixamento do nível federal ao estadual.

 Não obstante, a antiga Deputada Federal estola um pouco mais, indo bater à porta da Câmara dos Vereadores de São José dos Campos/SP, cidade onde fez sua carreira política e onde foi prefeita de 1993 a 1997. Então em 2008 o município de São José dos Campos vê os santinhos apelando para eleger Ângela à vereança da cidade. O resultado das eleições municipais são favoráveis e ela é eleita vereadora com 4.300 votos num universo de 331 mil eleitores.

Dentre os principais projetos de Ãngela em São José dos Campos está a proposição que proibe qualquer manifestação corporal em forma de dança por parte dos vereadores cria o SAMU para São José, o que acabou beneficiando a região vizinha. Com esse grande trabalho inovador, Guadagnin consegue se reeleger vereadora de SJC nas eleições municipais de 2012, dessa vez com 3.200 votos.

Diante de todo esse cenário, o mais interessante foi a entrevista que Ângela deu à equipe do UOL em junho deste ano (http://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2012/06/27/conhecida-por-danca-da-pizza-vereadora-angela-guadagnin-reafirma-que-mensalao-e-uma-farsa.htm), onde ela mantém o posicionamento de que o Mensalão é uma farsa (seria o mensalão fruto de nossa imaginação fértil?!) e vai além, acaba insultando os eleitores que um dia votaram nela, mas que em função de toda essa presepada não votam mais.

"Não posso negar a minha decepção pessoal de perceber que minha história política, naquele momento, fora pulverizada pela falsa expressão de que eu comemorava a impunidade, o que é uma mentira que povoa a cabeça dos desprovidos de caráter e dos que se dispõem a ser massa de manobra deles." (grifei)

Não se questiona o fato da impunidade ser justa ou não, ou do Mensalão ser ou não ser uma história de pescador, o que a sociedade repugna em Ângela é aquela "caminhada saltitante" ridícula em um momento absolutamente impróprio, inclusive ouso a dizer que foi até uma falta de decoro e respeito com os demais deputados. O rebaixamento à Vereadora é mais que merecido, pois ela faltou com o respeito à uma parcela GRANDE da sociedade!


Pra concluir, é fato que Ãngela só deve reacender na política se conseguir um GRANDE feito, algo semelhante à invenção da roda. Do contrário os números e as sucessivas eleições estão mostrando a tendência para o futuro de quem zuou com a cara da sociedade em favor da absolvição de seu amigo partidário (ou pessoal, que seja).

O último eleitor de Ângela Guadagnin que apague a luz!


Mário Henrique Lemos

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

[Polêmica] Dia da Consciência Negra, fomento, cotas, descontos, comida e demais ajudas para negros!

"It's the economy, stupid!"

Com essa frase dita pelo ex-presidente dos EUA, Bill Clinton, que inicio um debate polêmico sobre o dia comemorativo da Consciência Negra (que foi ontem, mas isso não vem ao caso) e a questão sectarista do "branco x negro".


É fato que os negros hoje bem sucedidos compõem uma minoria ínfima, e isso não é porque são menos inteligentes ou incapazes de resolver uma equação de segundo grau quando prestam um vestibular para Engenharia Civil no sistema de cotas, como vi em vários argumentos que remetem a esta conclusão. A deficiência do negro frente ao branco é uma só: a economia!



Talvez muitos não percebam, pois sua percepção de mundo não vai além das críticas aos 10% das vagas afrodescendentes de um Vestibular. Mas vendo a sociedade em si, a situação é antiga e não tem nada a ver com o fato do "neto pagar pelo conduta do avô branco que escravizou um negro", como o Daniel Fraga sugeriu em um vídeo sobre o tema.



Todavia, todos sabem que no Brasil o negro pôde conquistar a sua primeira moeda de centavo somente a partir de 1888, 120 anos atrás. Enquanto o negro lutava para conquistar o seu primeiro patrimônio, o resto das famílias (brancas) dominavam todas as empresas e indústrias existentes, além dos inimagináveis acres de terra, e essa situação leva qualquer pessoa com o mínimo de inteligência concluir que a concorrência de mercado NÂO era democrática entre o branco e o negro. Não que isso fosse negativo para o branco, afinal, se ele tinha toda essa carga econômica é porque ao longo das gerações trabalhou para conquistar isso. Mas o negro também suou e trabalhou (e como trabalhou), e em troca ganhou uma Lei Áurea.

Sem um puto no bolso, sem escolaridade e conhecimento algum e com uma Lei dizendo "Tú tá livre, mermão, te vira", o que aqueles escravos iriam fazer dali em diante? A partir daí o Brasil começou a viver o seu primeiro problema social grave e intrínseco: Complexo do Alemão, Paraisópolis, Heliópolis, Morro do Dendê e afins... sim, as favelas!! Outro problema grave que já tinha começado antes, mas se agravou ainda mais a partir de 1888 foi a prostituição e o turismo sexual.

Com uma realidade tão escancarada como essa, tem gente com a pachorra de dizer que negros e brancos estão tudo de boa, só porque o Joaquim Barbosa é negro e está no STF. Acho que todos já devem saber disso, mas quando se faz uma análise geral como esta, analisando a sociedade como um todo, não se deve pegar casos particulares ou isolados, mas sim se basear somente e tão somente pela estatística.

Estatísticamente, hoje já temos resultados positivos e a expectativa para o futuro também é animadora, mas se você pegar uma amostragem e selecionar as 200 maiores empresas brasileiras do país, certamente nem 10% delas serão dirigidas por negros, e não é porque o negro é burro, mas sim porque ainda está ascendendo na sociedade. De 1888 pra cá passaram umas duas, três ou talvez quatro gerações, e isso nem de longe é suficiente para colocar o negro em uma competição ECONOMICAMENTE democrática.

Portanto, "é a economia, estúpido" que faz com que o negro tenha um pouco mais de privilégio sobre o "branco".

E quando esse fomento vai cessar? Quando pegarmos as 200 maiores empresas do país e tivermos pelo menos 25% delas dirigidas por negros, aí sim poderemos COMEÇAR a dizer que a competição econômica "negro X branco" está se democratizando.

Pra fechar, excluindo esse fator econômico, concordo que negros, pardos, Michael Jacksons, amarelos, vermelhos e brancos são todos iguais e devem viver em paz, deixando de lado que a raça prevaleça para determinar superioridade em qualquer área dessa vida (e da morte também).



By: Mário Henrique Lemos

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Cinema: "2 Coelhos"

"Ô Silvia, piranha!!! Ô Silvia, piranha!!!"

É com esse refrão do Camisa de Vênus que quero iniciar essa reflexão sobre o filme "2 Coelhos", de Poyart, onde a Silvia é interpretada por Júlia (Alessandra Negrini), uma Promotora de Justiça que mais parece uma estudante do último ano de Direito e que se envolve com um advogado corrupto, um traficante e um nerd, tudo junto e ao mesmo tempo.

Mas deixando de lado o mérito da Júlia ser ou não uma piranha, o filme retrata e explora muito bem a realidade cinza e ardil, bem como a elegância e o poderio de São Paulo, colocando a cidade como um cenário perfeito para um enredo cheio de emboscadas e estratégias políticas maquiavélicas.

Percebe-se também que o Diretor apelou bastante para o método americano de fazer filmes de ação "policial" (coloco aspas porque Polícia é tudo o que NÃO se vê na trama), ainda sim o filme ficou bem longe daqueles de Hollywood, principalmente nos efeitos especiais que ainda não atingiram o nível de qualidade dos americanos. Mas mesmo assim confesso, "2 Coelhos" é um marco para o cinema brasileiro, principalmente no que tange a essa área de computação gráfica e tecnologias, onde o filme não se saiu de todo ruim quando comparado com outros filmes brasileiros que se arriscaram a explorar os efeitos especiais.....(elogios a parte, que explosão mixuruca aquela onde morreu o Deputado ein?!)

Com uma trama não-linear, o diretor trabalha e exige a memória do telespectador com frequência, e para o enredo não parecer um trabalho chato de investigação (estilo C.S.I) o filme descontrai o público usando moderadamente o humor, que ficou de parabéns, diga-se de passagem.

Já no que se refere ao elenco, quando vi a presença de Norival Rizzo (interpreta o pai de Edgar) percebi que o diretor não é um amador no assunto. Rizzo que atuou em 9mm São Paulo, um seriado policial brasileiro exibido na Fox, é, além de um comediante e ator especialista em filmes de ação, um policial civil que tive a honra de conhecer em São Paulo. Resumindo minha puxação de saco, filme de ação policial tem que ter Norival Rizzo!! Ainda sim, a presença de Caco Ciocler (Walter) e Alessandra Negrini (Júlia piranha) impôs respeito a trama. Quanto as revelações, Thayde, o antigo VJ da MTV foi o que mais me deixou bolado, talvez pelo fato de eu nunca imaginá-lo fazendo filme, mas o papel de malaco bandido ele interpretou muito bem. Há quem diga também que o protagonista Fernando Alves Pinto (Edgar) é a grande promessa do cinema nacional, é esperar pra ver...

Por fim, engraçado e diferente, o filme "2 Coelhos" vai além, traz consigo a crítica social fazendo coro, inclusive, ao filme "Salve Geral", ao abordar a boa e velha corrupção no Brasil, presente não somente entre a deputaiada, mas sim em órgãos como o Ministério Público e o Judiciário, entidades estas que muitos não têm culhão para criticar.

É isso aí, tá aí um filme que recomendo.

Henrique Lemos