PARTE I
Não irei me ater aqui aos crimes que cada delegacia teve de atender, já que a Banda B, Canal 190, Jornal "Tribuna", Paraná Online e os demais veículos de imprensa fazem a cobertura diária destes fatos com maestria.
Então entre na VTR do tempo e vamos voltar para o início de 2014...
JANEIRO
- GAECO vs Segurança Pública:
O ano começa acalorado nos bastidores da Segurança Pública, que ainda sofre os reflexos dos desentendimentos do final de 2013, onde a prisão de policiais civis de "grande expressividade" e a disputa pelo mando da indicação dos policiais que trabalham no Gaeco gerou um impasse entre o órgão do Ministério Público e a Secretaria de Segurança Pública.
- DPCAP em crise:
Em janeiro alguns distritos de Curitiba enfrentaram a mais profunda crise de rebeliões de sua história, ainda sentindo os reflexos do levante dos presos que se iniciou no fim de 2013. Foram registradas rebeliões, fugas e motins no 1ºDP, 9º DP, 11ºDP e no 12º DP, este último que enfrentou uma sequência maior de ocorrências em janeiro. As carceragens destas delegacias ficaram em frangalhos e tudo indicava que 2014 seria um ano de muita pressão sobre a Secretaria de Justiça - SEJU e de muita briga para os dirigentes do Sindicato das Classes Policiais - SINCLAPOL.
- Secretária de Justiça vai ao Maranhão:
Ainda sob a alta das penitenciárias, no fim de janeiro uma rebelião no Complexo de Pedrinhas (Maranhão) volta a expor as fragilidades do sistema prisional brasileiro. A Secretária de Justiça do Paraná, Maria Tereza Uille Gomes, vai até a governadora maranhense Roseana Sarney para compartilhar algumas ferramentas que tornaram o sistema prisional paranaense um "exemplo". No Paraná a visita foi muito criticada, pois a polícia paranaense ainda sofre com as delegacias-presídio, uma aberração que foi criticada por diversos órgãos de imprensa, inclusive na época fiz uma edição do Alça e Massa comentando este episódio.
FEVEREIRO
O mês de fevereiro começa com a denúncia de interceptações indevidas da CELEPAR sobre os e-mails da Polícia, o que gerou um certo constrangimento e clima de desconfiança entre as instituições públicas estaduais.
Um fato que deu mídia em fevereiro foi a briga entre os policiais sindicalistas do Sinclapol e Sipol, dentro do próprio Departamento de Polícia Civil. Esse racha entre os sindicatos nunca foi segredo para o público, mas a pancadaria entre os "camaradas" evidenciou as dificuldades que as classes de base têm em lidar com a palavra "união". A briga aconteceu por questões de política interna...
Foi também em fevereiro que a discussão sobre as "conversões da 4ª classe" tomou conta dos corredores da Polícia Civil.... na ocasião, Sipol se posicionava contra a proposta de conversão das vagas da 4ª para a 5ª classe dos investigadores, possibilitando o ingresso dos aprovados do Concurso PCPR2010. O tema foi polêmico e alguns policiais chegaram até a serem expulsos das redes sociais do SINCLAPOL, mas depois foram readmitidos. No meio do ano a conversão foi realizada sem grandes problemas.
- 6º Curso de Operações Táticas Especiais do TIGRE (VI COTE):
Durante o mês de fevereiro aconteceu o VI COTE, onde os 40 policiais que se candidataram ao curso de elite foram levados ao máximo de seus limites. E ao contrário dos cursos anteriores, neste ano o público pôde acompanhar um pouco do treinamento através das redes sociais. As fotos, os vídeos que eram divulgados na internet mostravam quão duro eram os esforços e as atividades dos "Coteanos" durante os quase 30 dias de atividades. Mas o interessante mesmo foi a valorização e o reconhecimento que os policiais e não-policiais prestavam diariamente na internet aos sobreviventes e guerreiros que enfrentaram o desafio.
- Primeira paralisação do ano:
Em fevereiro o SINCLAPOL conclamou a primeira paralisação, reivindicando novas contratações, reajuste salarial, promoções e progressões que estavam paradas.
De primeiro momento o Sindicato não obteve resposta do governo, ficando somente a promessa do "espera um pouco"... as promoções e progressões só vieram em meados de maio e junho, e as novas contratações em julho. Contudo, tirando a pauta salarial e o Novo Estatuto que estava prometido para 2014, as solicitações foram cedo ou tarde todas atendidas pelo Palácio Iguaçu.
- Cid Vasques deixa a Secretaria de Segurança Pública:
Após um intenso desgaste com o Ministério Público que já vinha desde o final de 2013, o então secretário Cid Vasques deixa a SESP.
Não era segredo pra ninguém que o Ministério Público, do qual Vasques faz parte como Procurador de Justiça, estava obstruindo os trabalhos do secretário, inclusive pedindo a revogação de sua licença e disputando o mando das indicações de policiais ao GAECO. Com a saída de Cid Vasques, Walter Gonçalvez assumiu interinamente a pasta.
MARÇO
- Leon Grupenmacher, novo Secretário de Segurança Pública:
Com a saída de Vasques e a consequente instabilidade política na SESP, o governador Beto Richa nomeia o então diretor-geral da Polícia Científica e médico-legista, Dr. Leon Grupenmacher.
A gestão de Leon Grupenmacher se caracterizou como discreta e técnica, dado o período curto do comando e considerando também o perfil tecnocrata do secretário.
- Operação do COPE leva 23 presos:;
No final de março o grupo COPE realiza uma operação expressiva que resulta na prisão de 23 pessoas, membros de uma quadrilha de assaltos a bancos, tráfico de drogas e homicídios que atuava em várias áreas do país.
Já nos bastidores da PCPR a apresentação dos presos no tatame da Escola Superior de Polícia Civil gerou desconforto, já que é no tatame que os policiais fazem seus treinamentos de defesa pessoal, logo, no entendimento de alguns policiais ali não seria o lugar mais adequado para levar presos. O assunto se estendeu por alguns dias nas redes sociais.
- O DIA D:
Tivemos também o Dia "D" da Polícia Civil, dia em que o Sinclapol fez uma manifestação em frente ao Palácio Iguaçu reivindicando melhorias salariais. Apesar de não obter êxito de reajuste salarial este ano, a classe policial ganhou um "compromisso" do Governo para abrir as negociações futuramente.
- Desabafo do Policial Civil de Cambé:
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| Investigador Samuel Rolim soltando o verbo |
Vimos neste ano também o desabafo do investigador Samuel Rolim de Oliveira, que foi rendido por presos durante uma fuga na delegacia-presídio de Cambé, região de Londrina.
O fato o deixou indignado e o policial não mediu as palavras quando falou com a imprensa. Na ocasião, o investigador criticou os governantes e até mesmo as autoridades policiais locais, dizendo que a segurança pública de Londrina e região está "às favas".
Ao contrário do que muitos imaginavam, Samuel não foi transferido para Barracão (município do extremo sudoeste, tido como castigo dos servidores públicos estaduais).
Abril foi um mês sem muitas turbulências na Segurança Pública paranaense, as atividades rotineiras se mantiveram constantes, mas o que chamou bastante a atenção do público neste mês foi a Operação Mercúrio, realizada pela 15ª Subdivisão policial de Cascavel. A operação desarticulou um esquema milionário de golpe à empresas da região, onde notas fiscais eram fraudadas para "esquentar" produtos contrabandeados do Paraguai.
MAIO
- Dissídio de 6,28%:
Em maio é aprovado o dissídio, fechado em aumento real de 6,28% para todo o funcionalismo (era para ser 6,6%, segundo estimativas do próprio governo).
- Rebelião na DP de Colombo:
Uma rebelião na delegacia-presídio de Colombo resulta em
policiais feridos e na morte de um agente penitenciário.
Algumas horas depois o Sinclapol já havia conclamado uma paralisação em resposta ao Governo.
- Fim das delegacias-presídio:
Após o intenso desgaste que o Governo estava passando devido às infinitas rebeliões nas delegacias presídio de todo o Paraná, e agora com as constantes paralisações e protestos de policiais civis, o governador Beto Richa assina em maio um decreto fechando as carceragens de todas as delegacias da capital e região metropolitana (com exceção do 11ºDP e Centro de Triagem).
A partir deste decreto as delegacias-presídio do Paraná começam, aos poucos, a se tornar delegacias de polícia!
- Operação Castelo:
Foi também em maio que a Delegacia de Estelionatos e Desvio de Cargas - DEDC realizou a Operação Castelo, que derrubou a falsa maçonaria. O esquema dos estelionatários consistia em chamar pessoas para integrar uma "maçonaria paralela" e assim arrecadar fundos. Havia até uma mansão em Campo Largo tida como sede da suposta maçonaria... o prejuízo estimado foi de 4 milhões de reais.
PARTE II
Essa foi a primeira parte da Retrospectiva PCPR2014... na semana que vem confira a segunda parte, com os fatos mais marcantes da Segurança Pública na segunda metade de 2014.
Mário Henrique Lemos












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